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77% dos piracicabanos apoiam taxação de grandes fortunas

O maior índice de aprovação da proposta foi entre os que possuem nível superior (85,1%)


MAIO DE 2021 - CIDADES DE GRANDE PORTE

A maioria dos piracicabanos apoia a taxação de grandes fortunas para amenizar desigualdades sociais / Foto: Reprodução Redes Sociais PMP

A crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19 trouxe ao debate a controversa proposta de taxação sobre as grandes fortunas. Apoiada principalmente por integrantes do blocos esquerda e centro esquerda e seus simpatizantes, a proposta, que já foi aprovada na Bolívia e na Argentina, está sob debate no Brasil há muitos anos, porém ganhou força em 2020 por causa da pandemia.

A taxação de grandes fortunas é parte de um novo estudo da INDSAT que está sendo aplicado em todas as pesquisas que realiza nos municípios paulistas. O objetivo é observar o movimento teórico da população entre os conceitos e ideias que flutuam entre a esquerda, centro e direita.

Para isso, a INDSAT criou um conjunto de perguntas das quais as respostas sugerem predisposições do entrevistado para um determinado posicionamento político, seja de esquerda, centro ou de direita. "Cada pergunta foi desenvolvida baseada no comportamento das propostas de cada agrupamento político", explica o pesquisador e jornalista Paulo Ricardo Gomes, diretor da INDSAT. "A cada resposta dada pelo entrevistado, ele é posicionado conforme a movimentação dos grupos políticos da esquerda, direita ou centro diante da mesma proposta", explica Paulo Gomes.

Defendida principalmente por lideranças políticas de esquerda, a proposta coloca os piracicabanos sob uma tendência mais à esquerda no que se refere à taxação de grandes fortunas

Ainda, segundo ele, para cada investigação realizada foi criada uma terceira opção, que dá ao entrevistado a possibilidade de escapar da polaridade entre esquerda e direita. Assim foi possível criar a seguinte classificação de cada população: Esquerda, Centro Esquerda, Centro, Centro Direita e Direita.

"Com essa investigação, nós saberemos, por exemplo, como pensa o eleitor de cada candidato e como ele flutua em meio às propostas de cada movimento político", explica o jornalista. "Saberemos, portanto, quais as cidades apresentam um viés mais de esquerda ou de direita de acordo com as respostas dadas às perguntas que foram formuladas".

Paulo Gomes explica ainda que não será solicitado ao entrevistado que ele faça a sua própria classificação. Ele será naturalmente identificado de acordo com as suas respostas. "Nós estamos observando uma forte incongruência das pessoas em relação ao comportamento de seus políticos. Há muitos eleitores do Bolsonaro, por exemplo, que apoiam propostas de esquerda e eleitores do Lula que abraçam ideias de direita", explica ele. "Nós queremos entender essa movimentação".


Taxação de grandes fortunas

Já aprovada na Bolívia e na Argentina, dois países comandados por presidentes de esquerda, a proposta de taxação de grandes fortunas foi apresentada pela INDSAT aos entrevistados por meio da seguinte pergunta: "A TAXAÇÃO DE GRANDES FORTUNAS, EM QUE OS MAIS RICOS PAGAM MAIS IMPOSTOS QUE OS POBRES, TEM SIDO ADOTADA EM VÁRIOS PAÍSES. Você acha certo ou errado?"

Como resposta, foram sugeridas as seguintes opções: ERRADO. Ricos não podem pagar para ajustar as injustiças sociais do país, CORRETO. Os ricos podem contribuir mais para reduzir as desigualdades. CONSIDERO viável apenas em momentos de crise;

A cidade de Piracicaba, sede da INDSAT, e incluída no rol das Cidades de Grande Porte (CGP) foi a primeira a receber o novo estudo. Ao todo, 77% dos entrevistados consideraram correta a taxação das grandes fortunas com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais, 18% consideram a proposta errada e 5% a consideram viável apenas em momento de crise.

O maior índice de aprovação da proposta foi entre os que possuem nível superior (85,1%) e a menor aprovação entre os que possuem ensino médio (71,6%). A aprovação da taxação de grandes fortunas é menor também entre os evangélicos (72,6%) do que entre os católicos (81,4%).

A INDSAT ouviu na primeira semana de maio 600 moradores de Piracicaba, maiores de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de 4% sob um intervalo de confiança de 95%.


Argentina e Bolívia

A Argentina cobrará um imposto extraordinário e temporário sobre grandes fortunas para financiar a luta contra a pandemia. O percentual de taxação varia entre 2% e 3,5%, quando a fortuna declarada ao Tesouro ultrapassar 35 milhões de dólares (181 milhões de reais). A nova lei foi aprovada em dezembro de 2020 e começou a valer a partir de fevereiro deste ano.

Estima-se que 12 mil argentinos deverão ser atingidos pela taxação. Vivem hoje na Argentina 44 milhões de pessoas. Com a taxação, esses poucos argentinos vão gerar em torno de US$ 3 bilhões enquanto a lei estiver vigente. Esse recurso deverá ser utilizado na luta contra a Covid-19.

O presidente da Argentina, Alberto Fernandez, é peronista e considerado "amigo de Lula". Mais ligado à centro-esquerda argentina, Fernandez conquistou a vitória sobre o liberal e então presidente Maurício Macri alavancado pela ex-presidente de centro-esquerda e companheira de chapa, Cristina Kirchner.

Na Bolívia, o presidente esquerdista Luis Arce, também sancionou poucas semanas após a Argentina, um projeto de lei que cria um imposto sobre fortunas superiores a 30 milhões de bolivianos (cerca de R$ 22,6 milhões). O novo imposto estima arrecadar o equivalente a US$ 15,1 milhões por ano — cerca de R$ 76 milhões — com a medida. A tributação atingirá apenas 152 bolivianos mais ricos.

"Estamos falando portanto de uma proposta cuja aprovação é maior entre os governantes de esquerda do que de direita. Porém, em Piracicaba, como se pode observar, a grande maioria da população - seja de esquerda ou de direita - aprova a proposta, inclusive a maioria dos eleitores do Bolsonaro, que é hoje o maior representante do conservadorismo de direita no país", observa Paulo Gomes.

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